Pelo terceiro ano consecutivo, o CRA-SP promoveu em sua sede, no início do mês de agosto, a entrega do Prêmio Destaques da Administração. Em parceria com o Centro Paula Souza – CPS e a Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração – ANGRAD, a premiação visa reconhecer a atuação de profissionais no estado de São Paulo que desempenham um relevante papel na sociedade, seja no mercado ou na academia.
Na abertura do evento, o presidente do CRA-SP, Adm. Alberto Whitaker, abordou a relevância do prêmio para a profissão e a cooperação das organizações parceiras. “O rigor adotado por essas entidades na definição dos critérios de avaliação dos homenageados garantem a isenção, relevância e legitimidade institucional desta premiação. Mais do que homenagens individuais, esta solenidade evidencia o papel estratégico que a docência e as carreiras tecnológicas desempenham no mercado de trabalho contemporâneo”, disse.
A programação da cerimônia ainda incluiu a participação de Deborah Vieitas, administradora Emérita de 2022, que falou sobre a relevância do reconhecimento profissional no campo da gestão. “O mérito do Prêmio Destaques está na escolha deliberada de iluminar quem habitualmente permanece nos bastidores. Os tecnólogos, que edificam com competência técnica o futuro da nossa economia, e os coordenadores de curso, que constroem com dedicação o futuro dos nossos profissionais”, disse.
Os homenageados
Nesta edição, a homenageada na categoria Acadêmico foi a Admª Natacha Bertoia, coordenadora dos cursos tecnológicos da área de gestão da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Já na modalidade Tecnólogo, o prêmio foi entregue a Igor Silva, egresso do curso de Gestão Comercial da Fatec Santana de Parnaíba.
Em entrevistas exclusivas, eles falam, a seguir, sobre as escolhas que fizeram ao longo de suas carreiras, a importância da formação acadêmica e a satisfação de terem seus esforços reconhecidos pelo CRA-SP e pelas entidades parceiras.
“Uma certeza eu tinha: queria trabalhar na educação”
A paixão pela área de exatas surgiu na época do colegial (antigo ensino médio) e levou Natacha Bertoia à escolha do curso de Engenharia Naval, na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Dois anos depois, em meio aos cálculos e à física, ela percebeu que faltava o contato com a área de humanas. Esse fator foi decisivo para seu retorno a São Paulo e o início de uma nova jornada na FEA-USP, desta vez em Administração.
Em paralelo à graduação, aos 20 anos, ela deu seus primeiros passos na educação. Lecionou Física e Matemática por dois anos em uma escola estadual de Santo André (SP), onde descobriu sua vocação para o ensino. A partir daí, envolveu-se em diversas oportunidades, desde pesquisas até projetos de consultoria e, hoje, atua na coordenação dos cursos tecnológicos da área de gestão da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Sua trajetória foi reconhecida pela Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração – ANGRAD, que a escolheu para receber o prêmio Destaques, na modalidade Acadêmico. Confira o bate-papo!
Revista ADM PRO – O que esse reconhecimento representa para sua carreira?
Natacha Bertoia – É fantástico! Nunca imaginei receber esse reconhecimento pelo trabalho desenvolvido. O CRA-SP tem valorizado a atuação do administrador, que é muito importante em todas as esferas e em todos os segmentos econômicos da nossa sociedade.
ADM PRO – Coordenar um curso envolve gestão de pessoas, planejamento, indicadores, processos e tomada de decisão. Em quais momentos sua formação em Administração mais contribuiu para enfrentar as responsabilidades da gestão acadêmica?
Natacha – O curso de Administração com certeza me ajudou muito. Quando me formei, entrei no SENAI e fui coordenadora pedagógica. Ali percebi o quanto a bagagem do curso de Administração foi e ainda é importante quando penso em todo o processo de gestão. Vejo, por exemplo, como um diferencial quando comparado com coordenadores de outras áreas, que têm o domínio do conhecimento técnico, mas não conhecem gestão. Então, hoje eu sou grata por ser administradora e educadora, porque essas atuações, na realidade, se complementam.
ADM PRO – Ao assumir uma coordenação, o professor deixa de olhar apenas para a própria disciplina e passa a responder pela formação como um todo. Qual foi o principal desafio dessa mudança de perspectiva na sua trajetória?
Natacha – Como eu coordeno os cursos tecnológicos EaD, o principal desafio é o engajamento dos alunos, porque para fazer um curso a distância ele precisa ter disciplina e autonomia. Muitas vezes, o estudante não tem isso, porque veio do ensino médio com uma outra dinâmica. Há, também, o desafio da conscientização a respeito da busca pelo conhecimento e da inteligência artificial, que está aí para nos auxiliar, não substituir. Existe, ainda, a preparação do corpo docente. No momento em que ele migra do presencial para o curso a distância, a dinâmica é outra. Isso exige do professor competências diferentes das que ele está acostumado no curso presencial.
ADM PRO – Como você avalia o crescimento expressivo dos cursos tecnológicos na modalidade EaD nos últimos anos e o que pode ser feito para garantir que a expansão venha acompanhada de qualidade acadêmica e formação consistente?
Natacha – É fantástico, mas é preciso ter cuidado porque muitas vezes as universidades oferecem cursos sem qualidade. Por conta disso, o Ministério da Educação – MEC tem implantado uma nova regulamentação em todas as Instituições de Ensino Superior – IES, que garante melhor qualidade na oferta dos cursos. Eu acredito plenamente no ensino digital, pois ele favorece a inclusão, possibilitando a todos o acesso à educação. Se for pensar na questão da mobilidade em São Paulo, por exemplo, o curso ainda é benéfico em relação ao tempo que a pessoa gasta para se deslocar do trabalho para a faculdade e na volta para casa. No entanto, antes de fazer essa escolha é importante ver a reputação da instituição, as notas de reconhecimento dos cursos, o ENADE e, se possível, ter contato com egressos dessas IES, que poderão dizer se o curso é bom.
ADM PRO – Qual é o papel da tecnologia, com a IA, em cursos superiores tecnológicos das áreas de gestão e negócios? Deve ser ensinada apenas como ferramenta de produtividade ou também como objeto de análise crítica?
Natacha – Infelizmente, alguns alunos utilizam a inteligência artificial de forma negativa, mas nós temos incentivado o uso da IA como uma ferramenta que vai auxiliar o seu processo, não o fim por si só. Sempre conversamos com os alunos, orientamos sobre os procedimentos, mas entendemos que é um público adulto que está tomando a decisão. Só que, à medida que ele utiliza a inteligência artificial de forma negativa, isso vai comprometê-lo profissionalmente, porque em uma entrevista ou em um trabalho, ele terá que mostrar o que sabe. E se ele substituiu pela inteligência artificial, na “hora H”, não vai ter o que apresentar.
ADM PRO – Como você enxerga o futuro do ensino da Administração nos próximos dez anos? O que deve mudar na forma como aprendemos e ensinamos gestão?
Natasha – Será bem diferente do que é hoje. Estamos evoluindo e acredito que não teremos salas de aula tradicionais e o ensino será muito mais focado no aluno. No entanto, temos um desafio que é mudar a postura desse estudante, que deverá ser mais proativo. Hoje, temos um alunado mais receptivo e isso é uma questão do sistema educacional brasileiro. Também acho que terão mais atividades desenvolvidas em campo e mediadas por um professor, em relação ao que existe no padrão presencial do momento, principalmente em uma sala de aula convencional.
“Temos sempre que ter um plano”
Desde a infância, o sonho de Igor Silva, assim como de muitos meninos no Brasil, era ser jogador de futebol. Ele começou a jogar aos cinco anos e, aos 16, já atuava como atleta profissional em um clube do interior de São Paulo. Com o incentivo de familiares e amigos, fez um curso de Informática em uma Etec e, com a chegada da pandemia de covid-19, recebeu um convite para trabalhar como professor na rede de escolas profissionalizantes Microlins, em Cajamar (SP). Sua boa performance na renovação de contrato dos alunos chamou a atenção da coordenadora comercial da escola, que o convidou para atuar nessa área.
Foi nesse momento que ele decidiu cursar Gestão Comercial na Fatec de Santana de Parnaíba, onde, segundo ele, “foi quando realmente a chave virou”. Do seu Trabalho de Conclusão de Curso – TCC surgiu a ideia de empreender. Ao lado de seu sócio, fundou a iSales, empresa de treinamento e consultoria comercial focada em construir operações comerciais mais eficientes, previsíveis e orientadas para resultados. Todo seu empenho rendeu frutos, levando-o a ser indicado pelo Centro Paula Souza para receber o Prêmio Destaques, na categoria Tecnólogo. Confira, a seguir, a entrevista.
Revista ADM PRO – O que representa para você ter sido escolhido pelo Centro Paula Souza para receber o prêmio Destaques da Administração?
Igor Silva – É muito especial receber essa premiação. Desde pequeno estive envolvido com o futebol e tinha o sonho de ser reconhecido e receber um prêmio. Não foi pelo futebol, mas o prêmio veio na parte empresarial. Fico muito honrado por essa oportunidade.
ADM PRO – Há pouco mais de um ano, você decidiu empreender e fundou a iSales. Como a formação em Tecnologia em Gestão Comercial contribuiu para essa decisão?
Igor – Eu acredito que ter o Centro Paula Souza (com a Etec e Fatec) no meu currículo é um peso muito grande. O conhecimento que adquiri lá me motiva a fazer acontecer. Quando me formei, precisava construir algo e essas instituições me trouxeram a confiança necessária para “ir para o jogo”. Mas temos sempre que ter um plano; não foi só com a força e coragem que eu fundei a iSales. Foi com base em todo o conhecimento que eu adquiri na Fatec, com os meus sócios e mentores. Isso trouxe bastante confiança. Quando a fé e a metodologia de plano de ação se unem, que é o que a Fatec proporciona, é um match perfeito. Tanto é que hoje a iSales tem uma parceria com a Fatec de Santana de Parnaíba, com uma turma voltada para o B2C, para pessoas que querem ingressar na área comercial. Nós os capacitamos e colocamos no mercado de trabalho.
ADM PRO – Quais competências técnicas e comportamentais você considera importantes para um gestor comercial se tornar relevante?
Igor – O diferencial na área de vendas é a escuta. O fator principal de qualquer relacionamento não é só falar, é realmente escutar, e demonstrar importância com o seu parceiro ou colega faz com que você tenha esse network. Muitas vezes, ele pode estar com uma necessidade que, se você não ouvir o cenário, não vai conseguir solucionar.
ADM PRO – Até que ponto os roteiros e as técnicas de abordagem ajudam o vendedor e em que momento podem tornar o atendimento mecânico ou artificial?
Igor – No âmbito comercial existe o script, mas esse é um recurso que não gostamos, porque deixa o vendedor engessado. Falamos muito sobre uma linha de raciocínio que se deve seguir para conseguir escalar os negócios: não importa como você vai fazer, e sim o quê. E é aí que entra o relacionamento e a escuta ativa no momento da negociação. O que diferencia o meu atendimento e o do Iago, meu sócio, é justamente o fato de cada um ter o seu perfil, uma forma de se sentir mais à vontade e o script não traz isso.
ADM PRO – Quais dicas você poderia dar para quem deseja cursar gestão comercial e alcançar o sucesso profissional nesse segmento?
Igor – Tenha um plano. Se você tem uma ideia, converse com pessoas que tenham o mesmo pensamento e que vão te motivar. Porém, escute também aquelas que dizem que o negócio não vai dar certo por um motivo, pois essa pessoa, muitas vezes, é melhor do que aquela que só concorda com você. A partir do momento que há um ponto negativo, é só consertá-lo. Você responde essa pergunta e vai para cima. Tenha fé, confiança e acredite, porque uma hora o trabalho é reconhecido.
Confira a cobertura completa da cerimônia de entrega do Prêmio Destaques da Administração 2026, neste link.


