Em projetos de transformação, existe um momento bastante comemorado: o go-live. O sistema entrou no ar, as entregas foram concluídas e a equipe começa a se preparar para encerrar o projeto.
Até aí, tudo certo.
O problema é quando tratamos esse momento como evidência de que a transformação também terminou.
Essa discussão não é nova. A McKinsey & Company aponta que cerca de 70% dos programas complexos de mudança em larga escala não atingem os objetivos estabelecidos. Entre os problemas recorrentes estão o baixo engajamento dos funcionários, o apoio insuficiente da gestão, a pouca colaboração entre áreas e a falta de responsabilização (McKinsey & Company, “The how of transformation”, 2016).
Na prática, é fácil reconhecer esse cenário. Um projeto pode cumprir prazo, orçamento e escopo e, ainda assim, ter dificuldade para fazer a mudança chegar à rotina. O novo sistema está disponível, mas surgem controles paralelos. O processo foi redesenhado, mas algumas atividades continuam sendo executadas como antes. Os treinamentos aconteceram, porém dúvidas e resistências permanecem.
Então, o que estamos chamando de sucesso?
O Project Management Institute ( Instituto de Gerenciamento de Projetos – PMI) também vem ampliando essa discussão. Em sua pesquisa Global Maximizing Project Success, de 2024, o instituto propõe uma definição que vai além de prazo, orçamento e escopo: projetos bem-sucedidos entregam valor que justifica o esforço e o investimento realizados. O Pulse of the Profession 2025 reforça essa perspectiva ao mostrar que profissionais com maior visão de negócio alcançam melhores resultados e conectam a execução aos objetivos estratégicos (PMI, “Maximizing Project Success”, 2024; “Pulse of the Profession”, 2025).
Entregar uma solução é uma coisa. Fazer com que ela seja incorporada pela organização e gere o resultado esperado é outra.
É nesse intervalo que a Gestão de Mudanças ganha espaço. Não apenas comunicando ou treinando, mas ajudando a entender quem será impactado, o que muda na rotina, quais barreiras existem e o quanto as pessoas estão preparadas para trabalhar de uma nova maneira.
Parte importante da transformação só aparece quando a solução encontra a operação. É ali que percebemos se aquilo que funcionava no desenho também funciona na rotina. Por isso, vejo o go-live menos como linha de chegada e mais como um momento de confirmação: é depois dele que adoção, comportamento e sustentação começam a mostrar se o investimento está, de fato, produzindo valor.
Para quem atua em Administração, essa discussão envolve estratégia, pessoas, processos, tecnologia e liderança. Projetos precisam terminar. Mas os benefícios que justificaram sua existência precisam permanecer.
Antes de considerar uma transformação concluída, vale uma última pergunta:
O projeto acabou. A mudança aconteceu?
Por Adm. Ms. Ana Carolina Caldas Dias Jordan
CRA-SP nº 104.352
Consultora Estratégica em Gestão de Projetos & Change Management



