Empreendedorismo artístico: a profissionalização da carreira por meio de gestão

O setor artístico possui características específicas que dificultam a gestão de carreira dos profissionais. Além da formação técnica e criatividade, são essenciais habilidades de planejamento, finanças, marketing, branding, inovação e diversificação de receitas.

A atividade artística ocupa posição relevante na sociedade contemporânea, tanto por sua dimensão cultural e simbólica quanto por sua crescente participação na economia. 

Apesar dessa relevância, a carreira artística apresenta particularidades que a diferenciam de trajetórias profissionais tradicionais. Dentre as quais sobressaem: a instabilidade da renda, projetos temporários, competição por oportunidades e a dependência de redes de profissionais.

Cada dia mais, o artista se vê como empreendedor, o profissional pode possuir elevado domínio técnico e, ainda assim, encontrar dificuldades para transformar sua atividade em uma carreira sustentável.

O artista empreendedor, portanto, precisa desenvolver competências complementares à sua formação artística.

Entre elas, destacam-se:

  • Planejamento;
  • Organização financeira;
  • Negociação;
  • Comunicação;
  • Marketing;
  • Gestão de Projetos;
  • Construção de redes profissionais;
  • Desenvolvimento de marca pessoal;
  • Capacidade de inovação;
  • Identificação de oportunidades;
  • Gestão do tempo. 

Essas competências não significam transformar o artista em um administrador tradicional. O objetivo é permitir que o profissional tenha mais autonomia sobre a carreira.

Apesar da importância da gestão, existem obstáculos para sua incorporação à carreira artística.

Um dos principais é a formação profissional.

Cursos nas áreas das artes, frequentemente focam no aprimoramento técnico e na criatividade. No entanto, tópicos como gestão, empreendedorismo, finanças e marketing nem sempre recebem a mesma atenção.

Assim, diversos profissionais entram no mercado de trabalho sem ter o conhecimento adequado para gerenciar suas próprias tarefas.

Outro desafio está ligado à percepção cultural de que a administração seria incompatível com o processo criativo artístico.

Essa visão pode levar a profissionais a evitar ferramentas administrativas por considerá-las excessivamente comerciais.

Contudo, a administração não precisa impor o que deve ser criado. Sua função pode consistir em estabelecer as condições para que o processo criativo ocorra de forma contínua.

Também é necessário reconhecer que a responsabilidade pela sustentabilidade não pode ser atribuída exclusivamente ao indivíduo.

Características estruturais do setor cultural, condições econômicas, políticas públicas, acesso a financiamento, desigualdade de oportunidades e condições do mercado também influenciam significativamente as trajetórias profissionais.

Assim, o empreendedorismo artístico deve ser analisado de maneira crítica, evitando a ideia de que todo problema de carreira pode ser solucionado exclusivamente pela iniciativa individual.

Por Admª. Carolina Nogueira Pontes Bano 

CRA-SP nº 151273

Bacharela em Administração de Empresas, Direito e Musicista.

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